sábado, setembro 30, 2006

meninices .

Hoje. Aqui. Já!


Quero.


( ~ Hands on Approach . Tão Perto, Tão Longe ~ )
(Isto não é um post, não é nada. É apenas uma marca do mês de Setembro. Não sai nada cá para fora. Vêm os dias frios, a chuva, o vento. Gosto. Quero. Muito... ^_^ )

sábado, agosto 05, 2006

o chão que pisas sou eu .

Dois corpos vazios. Dois copos nus. Cheios de mim. Despidos do mundo como o som que entra e sai algures ali e aqui. Palavras indistintas formam uma espécie de ansiedade boa e má que me corrói por dentro. É especial. Dois papéis escritos. Duas mensagens. Uma de amor. Uma de ódio. Uns opostos extremos. Nós. Relacionamentos indistintos e anónimos que se cruzam no quotidiano banal do amor. Arte. O amor é a arte do nosso dia a dia. Tu és a arte que preenche o meu corpo. Tu és a arte que enche o meu copo, que dá vida ao branco, que morre dentro do preto para resurgir no azul verde vermelho amarelo lilás. Aquilo que nunca tive de ti é saboroso. Eu sei que sim. Agora surges-me como uma ruína que incrivelmente faz parte de mim. Continuas a destruir tudo o que há de bom em mim. Tudo o que há de mau em mim. Tudo o que há em mim. Tudo o que poderá haver em mim. Tu matas e dás vida ao Nós. Tu destróis-nos. Eu amo-te. Tu amas-me?! Por favor, estou viciado. Preciso da dose diária do teu corpo. Preciso das tuas curvas nos meus lençóis. Preciso dos teus gestos simples no chão. A tua roupa espalhada em mim. Preciso de ti. Invade-me! Destrói-me! Consome-me! Mata-me! Ama-me! Percebe o que eu quero, o que eu preciso. Preciso de te ver entrar e consumires-me, dares-me o prazer de me destruires. Eu amo-te. Eu amo-te. Eu amo-te. Eu amo-te. Eu amo-te. Desesperadamente. Eu quero estar aqui contigo. Por favor. Fica. Eu amo-te. Eu não te posso deixar partir, eu quero ter aquilo tudo que nunca consegui ter de ti. Aquilo tudo que nunca consegui ter de ninguém. Por favor, fica! Preciso de ti. Porque eu te amo. Porque...


"O chão que pisas sou eu... O chão que pisas sou eu...






O chão..."














( ~ Linda Martini . Amor Combate ~ )

quarta-feira, julho 12, 2006

mesmo .

São estas pequenas coisas que contam. Essas pequenas coisas que, para além de contarem, também doem. Isso significa sempre muito mais. É.

Lembro-me de nós. Do que fomos ou do que somos ou do que eu pensava que éramos.
Lembro-me de um cheiro. Não sei definir. Não vale a pena. Era bom. Ponto.
As coisas mudam tão rapidamente e ninguém se apercebe de nada. Eu não me apercebo. Tu também não. Acho eu. É mau. As pessoas são tão... Digamos que, difíceis. Também não sei definir. Esta indefinição é geral. Não sei nada. A sério, é estranho pensar nas coisas como elas são, olhar objectivamente quando amamos o subjectivo. O subjectivo da nossa vida. Da minha vida. É qualquer coisa... indefínivel? Nuvens, danças de contos de fadas, tempestades, água. Significam tudo e nada. Não sei porque gosto destas coisas. São igualmente indefiniveis. Assim como eu. Talvez como tu. Já não te conheço. Aliás, eu nunca te conheci. Nunca conheci ninguém. É verdade. Nem a mim próprio me conheço. Está a voltar aquele tal cheiro que eu me lembro. Cheira me a amor. Cheira-me a algo azul e vermelho e branco e verde. Verde claro. É rídiculo. Mas eu também não conheço o amor. De todo.

E o tempo passa. E eu cada vez menos me conheço a mim mesmo. Acho que conheço melhor o amor do que a mim mesmo. Conheço melhor as letras e os sentimentos. Sinto-os. Eu não me sinto. Estranho. Apetece-me algo. Nada doce. Uma coisa simples. Correr? Não, fugir. Passear e sentar-me
num banco entre divagações e pensamentos. Entre cores e sons. Entre cheiros e tu.
Sentar-me comigo mesmo. À luz de julho e de luas. À luz de sóis e músicas. Entre cada uma dessas coisas. Estou eu sentado. Absorto. Leve. Eu.

Eu, definitivamente, não conheço o amor. Mesmo.





( ~ Jamie Cullum . London Skies ~ )
( Foto: Pesquisada no google. Não me lembro da URL. Não é minha! )











segunda-feira, julho 03, 2006

that kind of things .


It's usual to think that kind of things. When people are in love, it's even more usual to think that kind of things. But certainly, I didn't. I thought I was sure of what we were doing and I didn't care. It's so easy to fall... To think it lasts forever. But that forever had an ending.

You said always and forever you would be here. With me. To love me. To protect me. To share your dreams with me. To kiss me.

To love me.

But now, when I think in that kind of things. When I think in that kind of things that usually happen. I remember of you. Always perfect and beautiful. Always you.
Today, when I wake up in the middle of the night. I remeber of you. I remember when you used to be there, by my side. Watching me. But now you're gone and taking my dreams away. I didn't think it could happen. That kind of things that is so usual to think about.















( ~ Dave Matthews Band . Some Devil ~ )
( Hoje apeteceu-me escrever em inglês... Às vezes acontece... )
( Foto: http://www.robotwisdom.com/img1/wmorris.jpg )

quinta-feira, junho 29, 2006

lisboa .

Um momento. Sei lá. Algo belo. Não sei. Conheci-te e pronto. Um momento só. Gostei. Preciso recordar isto para sempre. Mesmo que não seja para sempre, não interessa.

Tenho o nada.
Quero o tudo.

É impressionante como as coisas acontecem não é?

As flores crescem, morrem.
As folhas crescem, caem, voltam a crescer e a cair e a crescer e a cair.
As velas acendem-se e puff.. Apagam-se com um sopro.
As pessoas apaixonam-se. Eu apaixono-me.

Sei lá. É diferente. Quero dar vida a esta cidade. Quero que tu dês vida a esta cidade. É mesmo impressionante. É diferente, digamos. Gosto de estar aqui. O amarelo, as pessoas, a confusão que nem chega a ser confusão. O estilo antigo mas vivo. Vivo dentro de mim. Dentro de ti. Dentro de todos. É belo estar aqui. Também achas? Não queria sair daqui. Dá-me uma noite, uma noite apenas. Deixa-me mostrar-te o meu Eu. E colorir o teu, quem sabe? Andaremos à toa, subiremos bem alto e voltaremos a descer. Sempre com aquele amarelo que também sobe e desce que nós gostamos tanto. Vamos entrar e sair das lojas, comprar uma recordação. Tirar aquela fotografia. Não, não é uma fotografia real. É uma fotografia com a memória para que tu, não te esqueças de mim. E para que eu... Eu certamente não me esquecerei de ti. Estou a ser lamechas. Sim, lamechas... Não... Lamechas não! Estou a ser Eu. Quero que me percebas. Não quero ter de me despedir de ti. A noite? Dás-me? Passear pelas luzes, descer e subir estas ruas estreitas e bonitas, ainda que feias. São sempre bonitas, para mim e para ti e para todos elas serão sempre bonitas. Dá-me a mão! Deixa-me levar-te por aí, hoje estás por minha conta. Só hoje. Só esta noite. Amanhã!? Amanhã logo se vê. Agora eu quero estar contigo, caminhar sobre o céu e voar sobre a calçada portuguesa. Vês o cacilheiro lá longe? Ele está a partir. Também tu estás. Mas, por favor, dá-me só esta noite, é tudo o que te peço. Um momento. Um beijo sob a arcada. Sob a luz. Perto das colinas. Perto das sete colinas.

Esta ficará para sempre a nossa cidade.
Este ficará para sempre o nosso momento.

Olha a ponte lá longe cheia de luzes. Olha um Homem com os braços abertos. Bem abertos. E este cheiro? Cheira a sardinhas assadas. Vamos fugir. Foge! Parte! Já te tenho comigo. Ter-te-ei sempre comigo. Adeus? Não. Eu não gosto de adeus. Prefiro os até já.

Beija-me.

Quero nada.
Quero tudo.

Beija-me de novo.







Até já!









( ~ Mariza . Maria Lisboa ~ )
(Tive a ver a peça Por uma noite e inspirei-me, deu-me aquela vontade de atravessar o Tejo e caminhar à toa por Lisboa. Aquela Lisboa.)
(Foto: www.manlik.gr)

segunda-feira, junho 12, 2006

de ti.

Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti. Gosto de ti.



Será que só tu é que não percebes?










( ~ Pearl Jam . Better Man ~)
(I'll be a better man... Certainly!)

terça-feira, junho 06, 2006

tesouro .

As pessoas gastam tanto tempo a olhar para tudo. Eu já não sou assim. Encontrei algo. Encontrei algo deveras interessante. Qualquer coisa assim de estranho, que sorri por tudo e por nada. É divertido percorrer o horizonte, tocar nas nuvens e voar. Encontrar um sorriso perdido nas estrelas ou um abraço longe numa gruta que o mar ilumina todos os dias e todas as noites. Sabes... Hoje pensei que tudo isto vale a pena. Só hoje cheguei a essa conclusão, que vale a pena saltar de pedra em pedra e correr feito um menino de cinco anos.

É divertido.

Sabe bem encontrar estas coisas por aí perdidas. Tornam o mundo assim um pouco mais colorido. Um pouco mais saboroso. Quase como um algodão doce. Ou quase como um chocolate. Ou quase como um chupa-chupa. Ou quase como nós. (Sorriso)
Como eu adoro estes encontros, há sempre tempo para isto quando mudamos o nosso ponto de vista e... Digo e repito, é divertido.

Finalmente, encontrei algo. Encontrei algo deveras interessante. Qualquer coisa assim de estranho, que sorri por tudo e por nada.
Finalmente, encontrei-te.

Encontrei-te a ti.















( ~ Pearl Jam - Ocean ~ )

segunda-feira, maio 22, 2006

novo começo .

Hoje é um daqueles dias. Aquela vontade enorme de mudar, o positivismo, a cor. É apenas mais um dia igual a todos e no fundo tão diferente. É um novo começo.
É o novo começo.

Para sempre.









( ~ Ben Harper . Forever (acoustic) ~ )

terça-feira, abril 18, 2006

-

Recordo as palavras que me pediste emprestadas. Aliás, roubaste. Todo aquele sentimento passou a ser teu e não meu. Talvez no "fundinho", como tu costumas chamar, ele cá esteja. Talvez não. Está. Seria bom ter-te por perto e pedir para me embalares com a tua melodia, deixares me entrar no teu abrigo.

Olha para mim. Alcança-me sempre que puderes. Por favor, eu preciso disso. Fica aqui comigo, não te vás embora, eu continuo e continuarei aqui. O teu olhar transforma-me e subitamente sinto que estou sozinho. Estarei?

(Turbilhão de emoções)

Olha para mim. Entra por aqui e fica comigo. Mergulha em mim que eu continuarei aqui. Apetece-me ter asas e voar por aí, chegar perto de ti. Mas, parece que eu por aqui ficarei.

(Sentimentos)

Olha para mim. Já nada permance como estava. Nem tu estás como estavas. Tudo na vida vem e vai em pedaços como um puzzle. Quero-te.

(Confusão)

Olha para mim. Estou a sufocar. O tempo sufoca-me e as certezas, essas, voaram. Estou cansado de te procurar mas quero continuar esta busca. Quero continuar neste rumo. Acima de tudo, tu fazes-me bem.

(Sorriso)











( ~ Mafalda Veiga - Quando (Já nada é intacto) ~)
(Para ti... Porque mereces!)

sábado, março 18, 2006

Farto

Farto.
Completamente farto.
A saturação atinge níveis máximos. Hoje é só mais um daqueles dias - ordinários e cinzentos. Não há ninguém por perto para amparar a queda de um anjo sem asas.
Não há (mesmo) ninguém que queira amparar a queda. O movimento está bloqueado e apodrecido tal qual no destino final.
O vento goza com a minha cara. Por sua vez, a noite dá-me motivos. Esses mesmos motivos que me fazem aqui estar hoje. Aqui estar nesta situação.
Saturação ao máximo consome-me como eu mesmo consumo um absinto vodka - rápida e ardentemente, talvez seja disso que eu esteja a precisar: uma ardentemente rápida escapadela até ao mundo da lua de onde simultaneamente me mandam descer.
Saturação consumista... Literalmente.
Saturação.

Enquanto aguardo. Deixo-me ser consumido por esses caminhos (por ti) provocados que tanto me assustam e empurram.












( ~ Sarah McLachlan . Building a mystery ~)
(O título diz tudo...)

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Quando queres.... Tu consegues

As falhas do meu ser insinuam-me o mar que está para além do horizonte perdido.
As ondas, essas, gritam asquerosamente com o intuito de me sufocar.
Mergulho nessas mesmas águas e só me vem uma imagem à cabeça...
Tu.
Tu olhas e percorres o meu corpo com o olhar. Paras nos meus olhos e lês o meu pensamento. Vejo em ti um olhar provocante e uma sensação de clímax pelo momento em si. Queres me foder, literalmente.
Queres me sentir e fazer ver.
Queres me ver chorar.
Queres me ouvir gritar.


Boa tentativa. Quando queres...

















Tu consegues.






(Sem paciência para isto...)
( ~ The Undertaker . Puscifer ~ )

sábado, janeiro 21, 2006

Ensina-me...

Tenho muitas opções:
Acender um cigarro;
Sair;
Dizer que te amo.

Estas são as minhas opções. Ainda me consigo lembrar do teu sabor, está cá dentro guardado. O teu fantasma também - é a minha testemunha.

Tu ensinaste-me a mentir.

Vivo na mentira do meu pensamento. Tal qual o fumo do cigarro que acabei de acender, a mentira percorre-me, instala-se em mim, nas minhas roupas e vicia-me tal qual este mesmo cigarro.

Tu ensinaste-me a voar.

Levaste-me ao céu em segundos e disseste para abrir os braços como um Cristo-Rei perdido na imensidão azul. Fizeste-me voar contigo e agora? Ensinas-me a aterrar?

Tu ensinaste-me a ver.

Mostraste-me os pormenores bonitos das coisas. Fizeste-me ver o quão bonito é o fumo do cigarro aceso. Fizeste-me ver as estrelas que nos iluminavam à chuva. Ainda me fizeste ver a tua beleza. O teu cabelo. Os teus olhos.

Tu ensinaste-me a temer.

Ensinaste-me a ter medo das pessoas e deste-me a mão quando eu precisei. Eu agora preciso mas tu não estás aqui. Mas não interessa.

Tu ensinaste-me a amar.

Fizeste-me sentir bem. Fizeste-me sentir mal. Fizeste-me chorar e agora diz-me, por favor diz-me, o que sou eu?

Por favor diz-me que opção escolho, a de sair? A de dizer que te amo?
Sim, porque o cigarro já eu acendi.
Agora peço-te professora...
Ensina me a ser feliz. Pode ser?









(A ausência fez-se notar... Mas estou de volta.)
( ~ Robbie Williams . Eternity (orchestral version) ~ )

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Agora... Já!

Os olhos já pesados indicam-me não a alternativa mas sim o fim. Estou agora entre os dois lados. Aquele em que via o mundo a preto e branco e aquele em que vejo o mundo apenas cinzento. A realidade alternativa é inexistente e os sentimentos são tão grandes e tão pequenos que enjoa-me pensar nisso. A fraqueza dos membros, a inocência do coração experiente incita-me à loucura. Aquela mesma loucura que me fez, anos antes, embebedar a minha alma com amor. Esse amor que hoje não existe, ou melhor, que existe sob a forma de compreensão. Quando os olhos já não nos são fiéis, se é que alguma vez o foram, é díficil precaver situações como esta.

(sinto-me tonto)

Abro os olhos mais uma vez. O mundo está diferente, quero voltar para o ventre da minha pobre mãe, mas agora é tarde.

Quero brincar com o filho do Sr. Zé do talho e beijar às escondidas a filha da Sra. Ermelinda da mercearia.
Quero poder voar e ser livre como um adolescente.
Quero poder não depender da vontade.
Também quero, se for possível, voar e ser feliz, cantar e voar.
Quero sentir, tocar, saborear e cheirar.

(sinto-me agoniado)

Lembro-me agora dos velhos tempos. A velha guarda. As noitadas e os risos.

Que saudades que eu tenho dos risos.

Agora dentro de mim, dentro desta prisão que me consome, só oiço sussuros e lágrimas que, escondidas, teimam em cair. Preciso de ar. Os meus pulmões estão fracos, em parte devido a todo o tabaco que fumei durante tantos anos, mas não só. O coração, esse, está quase imóvel e ainda entre os dois lados consigo perceber que nunca houve dois lados. Nada muda de um lado para o outro, apenas a presença.

Como esta dor é boa. Preocupa-me o facto de passar a ter mais tempo livre, porque se já era aborrecido sem ter tanto tempo, imagino como será depois.

Que saudades que eu tenho daquele banco de jardim e daquele café pingado.
Que saudades que tenho de mim e de ti.
Que saudades que tenho dos nossos exageros, dos exageros do mundo.
Que saudades que eu tenho do antes.
Que medo que eu tenho do depois.

(sinto-me extasiado)

O tempo escasseia e corre me entre os dedos e entre os lábios. Cerro-os para não o deixar passar, se pudesse pararia agora e aqui. Estagnava, absorto de tudo, mas consciente a observar o mundo. Sinto a presença dos meus filhos aqui algures. Talvez seja apenas no coração. Quando ninguém quer saber do experiente. Experiente, curiosa definição para velho. Sim, velho. Não idoso pois não existe palavra mais rídicula.

Sinto que a hora do Adeus está a chegar, logo eu que detesto despedidas. Está na altura de olhar mais uma vez ao meu redor, ver este último tom cinza. Está a chegar o último adeus e eu pergunto-me porquê. Não quero saber da resposta, não a teria de qualquer das formas.

O último Adeus está dado.
Curiosamente, agora vejo tudo colorido.
Agora estou feliz. Realizado. Agora... Só agora...



(sinto-me bem)





Já.
















( ~ Cold . Wasted Years ~ )

segunda-feira, novembro 28, 2005

Romance .

A diferença que um dia faz na minha vida é igual aquela que, pateticamente, me faz a falta do teu sussuro, do teu beijo matinal com sabor a menta da pasta de dentes acabada de utilizar.
Acho que estou apaixonado por ti.
A falta que me fazes após passar um minuto sem ti é tão grande que só consigo aliviar a tensão quando penso nos momentos de cumplicidade pela qual passamos habitualmente: aquele puxão na gravata e o french kiss que desde cedo tu me tens vindo a ensinar. É tão bom estar assim, quando todos os dias vejo o Sol a sorrir para mim, quando oiço a Lua a ensinar-me a dança da chuva. Tenho saudades de momentos como aquele pelo qual passámos no dia em que, quando chovia a potes, eu passei por aí só para dizer Boa-Noite. O beijo que se seguiu. A estrela que se iluminou. A Lua que sorriu.

Como é bom estar apaixonado. Encontrar o romance perdido algures entre ti e eu. Entre os nossos corpos e entre os nossos pensamentos. Os nossos sorrisos cúmplices denunciam-nos como dois patéticos apaixonados que pernoitam nas estrelas para durante o dia passearem por Nenhures, com o tal sorriso na cara.
É tão bom sentir-me assim. Pena é não estares aqui.

Pena é nunca teres estado realmente aqui.
















( ~ What a difference a day make . Jamie Cullum ~ )
( Foto pela minha querida Sílvia - www.photoblog.be/sissa
__ )

segunda-feira, novembro 21, 2005

O Ponto Final .

A noite já caiu. Ando pelo passeio para tentar chegar a casa. Enquanto espero que o boneco verde me indique o caminho reparo nos lampiões acabados de acender e na roda da bicicleta que oscula o piso molhado e anda ao mesmo passo que eu. As chaves de casa são as mesmas desde sempre, o vazio inexistente na casa preenche-me a mim não sei como nem porquê. Preciso de ar. Estou a precisar de mudar e de escrever o último parágrafo deste capítulo. O ponto final é necessário. Já não faz sentido, ou então até faz. Não sei o que se passa. Entretanto, está frio e chuva lá fora. A chuva cai e faz-se sentir na multidão que vagueia apressada pelas ruas quase desertas. Vivo num paradoxo constante. Sinto necessidade do Ponto Final. Mas...
Existe sempre um Mas no meio de tudo. Este Mas deixa-me continuar como me deixa parar. Pede-me uma Virgula apesar de eu querer um Ponto Final. Será que eu vou ceder ao Mas? Não sei...

Chegado está, então, o Ponto Final.

(Mas...)




















( ~ Fim do dia . Mafalda Veiga ~ )

quinta-feira, novembro 17, 2005

Desabafos

Troquei contigo as palavras mais bonitas e sinceras que alguma vez eu pensei em trocar com alguém. A vida prega partidas e tu foste uma delas. A noite começa a cair e assim também eu. Tenho sede das tuas palavras, fome dos teus gestos, falta do teu sorriso. A tua pele permanece em mim tal qual a primeira vez. A nossa primeira vez. A primeira vez que me tocaste e eu te toquei.

Sinto-me agora completamente sozinho.

A noite está perdida como eu. Tudo o que eu vivo é inutil e fugaz. Estou perdido nestas ruelas do coração e deixo-me cair no chão da emoção. O sabor do teu cabelo que vem de longe é simplesmente tudo o que eu ainda consigo sentir. O meu caminho foi traçado de modo a que nunca mais se cruzasse com o teu. Mas nunca é relativo. Muito relativo diria mesmo.


A noite está linda.
Tu és linda.
O que eu sinto é lindo.

É tão fácil dar-te o meu coração, dar-te o meu ser, o meu Eu quando me acalmas num dia mau. Mas após tanto tempo. Hoje ainda sinto falta de qualquer coisa. Essa mesma coisa que inconscientemente nunca me deste. O meu nariz já está a dar sinal de vida. Sabes... Aquela sensação que dá antes de uma pequena lágrima salgada sedenta de emoções sair dos olhos em direcção à boca.
"Tudo o que era fundo, fica perto..." como diz uma velha amiga, a mesma amiga que me diz que "Nem sempre o chão da alma é seguro, nem sempre o tempo cura qualquer dor."

Ela tem razão. O tempo nem sempre cura qualquer dor. A dor é como o monstro que está escondido debaixo da cama, que nos faz chorar cada singular dia.

Já está a amanhecer.

Há uma coisa em mim ferida. Essa ferida parece não sarar, mas pelo menos, o sangue já estancou. Mas como já estou habituado, a dor já nem me aquece, nem arrefece. Talvez no próximo anoitecer ela se faça sentir... Quem sabe?





(~ Story of the year . Anthem of our dying day ~)

quarta-feira, novembro 16, 2005

Tu e o sentido.

Quando o céu toca no mar, lá no fundo, bem fundo, eu sei que estás a pensar em mim. O teu ser emana um sorriso estranho e bonito que permite-me também sorrir. Este meu sorriso é triste e diz-me que não posso continuar assim, a razão diz-me. Mas a emoção que tão estranhamente me provoca e envolve, deita-me abaixo e faz me cair como cai alguém numa tragédia clássica. A tragédia clássica é talvez a minha própria vida. Hipérbole? Talvez. Mas ainda assim...

Do mesmo modo que tudo começou, que tudo teve o seu inicio, a espiga de trigo, a árvore, o pequeno ribeiro acima da casa dos meus avós, também tudo tem o seu fim. Finais felizes de contos de fada preenchem-me a memória infantil mas lúcida, esses mesmos finais felizes que eu desejo e ambiciono para mim próprio. O sentimento de derrota consegue-me surpreender a cada momento. É inacreditável como alguém me consegue derrubar com um simple sopro vindo lá de longe. Deixo-me cair cada vez mais e estonteantemente, vomito as palavras que outrora quis que me dissesses. Agora já nada faz sentido. Ou melhor...










Agora tudo faz sentido.










(Ah e tal. ~ Broken Words . Finger 11 ~ )

terça-feira, novembro 15, 2005

dia mau .

Hoje sinto-me impotente perante o mundo. Aqueles dias em que nos corre tudo mal e tudo está contra nós faz parte da minha rotina neste momento. O meu lado emocional sobrepõe-se ao racional e isso é mau. Os sentimentos afogam-se num turbilhão de pensamentos que se vão transformando em pequenas lágrimas translúcidas. As mesmas lágrimas que sempre me acompanharam durante a minha vida. Ai... Hoje este dia mau não parece querer mudar. Este mesmo dia mau que me permite observar o mundo com outros olhos, olhos com sede de mudança que a emoção não permite. Uma espécie de esquizofrenia está a apoderar-se de mim como se de um monstro se tratasse e devora-me os sentidos de um modo característico que me deixa na estaca zero.

Não vejo.
Não oiço.
Não falo.
Não sinto.

A esfera metálica onde eu, enclausurado, permaneço, aperta-me cada vez mais sem explicação aparente. A revolta apodera-se do meu ser e quero tocar-te. A minha vontade de te amar e de me entregar a ti. Possuir-te contra a parede. Consumar o meu desejo. Fazer-te feliz. Torna-se na maior das obcessões. Agora, estas palavras fazem parte de um Diário de um Esquizofrénico. Peço que me desculpem as pessoas e todos os seres vivos. Mas os meus sentimentos... Ai os meus sentimentos... Deixam-me assim...




Tudo isto porque hoje... Só hoje...
Vivi mais um dia mau.







(Peço desculpa pela ausência mas o tempo está escasso. Sugestão musical: Cure my tragedy (A letter to God) - Cold)

terça-feira, novembro 01, 2005

Hoje vou ficar por aqui...

E a chuva voltou a cair. Fez-se sentir em todo o lado. Sobretudo no meu corpo. No teu também, mas no meu ainda mais. Por entre palavras soltas e sorrisos cúmplices, eu precisava de sentir a chuva. Eu preciso de sentir.
Agora, com tudo isto já passado, estou rodeado de realidades alternativas à minha, há quem lhes chame livros. Nunca entendi bem porquê...

Estou sentado no chão. Olho para as velas a queimar aqui e ali, cada uma mais lenta que a outra. Sinto-me bem. Sorrio. Choro.

Procuro agora deitado a olhar para o tecto um novo rumo para não ser igual a ti, há coisas que não se explicam e o caminho que eu pintei naquela tela, naquela grande tela agora não dá para apagar. Confesso que tive para destruir a tela, queimá-la, mas do que é que isso adiantaria? Na minha cabeça (e no meu coração) esse caminho manter-se-ia bem presente.
Tenho de começar a desenhar outra tela, mudar de cores e de pincéis.

Dou um golo no café ainda bem quente. Uma vela apaga-se. Positivo. Acho que algo me diz para mudar...
Neste momento, quase nada parece certo. A ferida ainda dói, e o que está longe percebo que não está assim tanto. Estou a um passo de mudar. O problema é avançar.

Apagou-se outra vela.

Preciso de me sentir acompanhado. A cumplicidade parece não existir. A noite consome-me a alma ou o espirito ou o que lhe quiserem chamar. É tão facil errar e entregar-se de corpo todo a quem nos parece diferente e emana cumplicidade. Essa cumplicidade boa que todos gostamos.

Apagou-se outra vela.

Continuo à espera. Preciso de desenhar outro caminho, mais seguro, mas se for totalmente seguro que experiências é que isso me proporciona? Agora fiquei confuso.
Quando penso que o que está certo está certo, dizem-me que está errado. Quando penso que está errado, dizem-me que está certo. Não consigo perceber.
Entra alguma luz pela janela. Entra com ela uma brisa que apaga todas as velas. Aquele cheiro a cera quente...

Levanto-me. Pego numa realidade alternativa. Folheio-a. Durmo. Amanhã é outro dia.







(Sugestão musical para hoje: Cúmplices - Mafalda Veiga. Depois perceberão o que eu disse.)

sábado, outubro 29, 2005

(por tua causa)

O vento passeia-se por este jardim interminável, brinca com as folhas e com os passarinhos que alegremente voam livres por aí. Este vento que leva e traz as coisas, os perfumes, a música, o fumo de um cigarro que acendeste lá longe.

Cai uma folha da árvore, verde ainda, o vento faz com que ela rodopie e dance no ar como nunca anteriormente dançara.
As crianças correm por este jardim, por este parque verde que termina lá longe. O vento volta-se a fazer sentir, as árvores começam magicamente a dançar, é a dança natural dos seres vivos que mesmo imóveis têm o poder inigualável de se mover sensualmente ao som do vento.
Ao fundo estás tu, aparentas calma e serenidade. Essa mesma calma que me tem vindo a conquistar desde à muito tempo.
Estás linda, trazes aquele vestido à menina de que eu gosto tanto. Vê-se na tua expressão que procuras algo que não tarda nada encontrarás. Olhas para mim e sorris. Caminhas lenta mas imponentemente na minha direcção.

Continuas a sorrir.

O Sol, esse, ilumina os teus cabelos lisos, apanhados atrás como eu tanto gosto.
-Estás linda hoje, mais do que todos os outros dias! - grito eu para longe.
Continuas a sorrir, sempre a sorrir.
Por fim chegas e beijas-me. Sentas-te a meu lado enquanto eu te contemplo. Um pássaro pousa entre nós e começa a cantar alegremente um hino à Primavera.
Eu deito-me e tu voltas a beijar-me.
O fim do dia não tarda.
O céu está cor de rosa, lilás e um pouco azul.
O Sol, esse, está enorme, brilhante e perfeito.

Ilumina o nosso amor.
O meu e o teu.
O nosso.
Se há algo que eu possa dizer veemente que tenho é o Amor, o Nosso Amor.

O vento torna a aparecer e tu, com frio, agarras-te a mim, sentes-te protegida comigo e eu gosto. Gosto que gostes de mim. Levantamo-nos e caminhamos procurando a saída deste belo jardim. Por entre árvores e trilhos caminhamos de mãos dadas, cúmplices como sempre.

O Sol ainda nos ilumina.
Tu ainda me iluminas.
Eu ainda te ilumino.
Sob esse mesmo Sol damos o derradeiro beijo, aquele que nunca se esquecerá, mesmo quando sairmos deste jardim, mesmo nas próximas paragens. Aí vem a noite. A Lua já se faz notar. Apertas o meu braço com mais força e eu respondo-te:
-Não tenhas medo! Eu estou aqui, como sempre estive e como sempre estarei. E tu sorrindo, dás-me a mão e continuamos o nosso caminho...




*Nostalgia*

(Sugestão de hoje: You always say goodnight, goodnight - The Juliana Theory)