sábado, outubro 29, 2005

(por tua causa)

O vento passeia-se por este jardim interminável, brinca com as folhas e com os passarinhos que alegremente voam livres por aí. Este vento que leva e traz as coisas, os perfumes, a música, o fumo de um cigarro que acendeste lá longe.

Cai uma folha da árvore, verde ainda, o vento faz com que ela rodopie e dance no ar como nunca anteriormente dançara.
As crianças correm por este jardim, por este parque verde que termina lá longe. O vento volta-se a fazer sentir, as árvores começam magicamente a dançar, é a dança natural dos seres vivos que mesmo imóveis têm o poder inigualável de se mover sensualmente ao som do vento.
Ao fundo estás tu, aparentas calma e serenidade. Essa mesma calma que me tem vindo a conquistar desde à muito tempo.
Estás linda, trazes aquele vestido à menina de que eu gosto tanto. Vê-se na tua expressão que procuras algo que não tarda nada encontrarás. Olhas para mim e sorris. Caminhas lenta mas imponentemente na minha direcção.

Continuas a sorrir.

O Sol, esse, ilumina os teus cabelos lisos, apanhados atrás como eu tanto gosto.
-Estás linda hoje, mais do que todos os outros dias! - grito eu para longe.
Continuas a sorrir, sempre a sorrir.
Por fim chegas e beijas-me. Sentas-te a meu lado enquanto eu te contemplo. Um pássaro pousa entre nós e começa a cantar alegremente um hino à Primavera.
Eu deito-me e tu voltas a beijar-me.
O fim do dia não tarda.
O céu está cor de rosa, lilás e um pouco azul.
O Sol, esse, está enorme, brilhante e perfeito.

Ilumina o nosso amor.
O meu e o teu.
O nosso.
Se há algo que eu possa dizer veemente que tenho é o Amor, o Nosso Amor.

O vento torna a aparecer e tu, com frio, agarras-te a mim, sentes-te protegida comigo e eu gosto. Gosto que gostes de mim. Levantamo-nos e caminhamos procurando a saída deste belo jardim. Por entre árvores e trilhos caminhamos de mãos dadas, cúmplices como sempre.

O Sol ainda nos ilumina.
Tu ainda me iluminas.
Eu ainda te ilumino.
Sob esse mesmo Sol damos o derradeiro beijo, aquele que nunca se esquecerá, mesmo quando sairmos deste jardim, mesmo nas próximas paragens. Aí vem a noite. A Lua já se faz notar. Apertas o meu braço com mais força e eu respondo-te:
-Não tenhas medo! Eu estou aqui, como sempre estive e como sempre estarei. E tu sorrindo, dás-me a mão e continuamos o nosso caminho...




*Nostalgia*

(Sugestão de hoje: You always say goodnight, goodnight - The Juliana Theory)

quarta-feira, outubro 26, 2005

A propósito de Outono... : )

O Outono, o Castanho e o Amor...

O castanho do Outono brindava todos os amados e amantes naquela tarde. Aquele mesmo castanho que preenchia o vazio inesperado da monotonia amorosa. Aquele castanho, aquele castanho.

Aquele castanho preenchia a casa, o cheiro a canela, a bolos feitos pela avó. A alegria ainda é a lei daquela casa que por mais Outonos que passe, estará sempre naquela cor linda e inspirante: o castanho!

Ai ai, aquele castanho. O mesmo que entrava devagarinho silenciosamente pelo quarto dos meninos. Os meninos, esses que lá fora, descalços, diziam parvoíces e mesmo coisas inteligentes tipicamente infantis. As crianças… Que belas que elas são. A sua ingenuidade acalma-nos, a mim e a ti.

Entretanto o perfume do café chama por nós. Está na hora do lanche dizes tu aos meninos. E eles correm, ainda descalços, correm pelo castanho circundante da nossa casa. Se não fossem os meninos o que seria feito de mim. O castanho percorre-me, está presente no meu corpo. Eu amo-te digo-te sempre. Não interessa o que fazes. A fase negra já passou, penso eu. Agora chegou o castanho e ele veio para ficar. Essa cor que me pertence, que é minha, só minha. O Outono da vida chegou. Ele veio para ficar. Agora temos tempo para amar afirmo. Queres-me amar? Queres?

Ama-me de alma e coração, ama-me como só tu sabes amar. Deitamos as crianças nas suas camas e brindemos ao nosso amor. Ele existe, não existe? – Pergunto eu ingenuamente. Sabes… Eu gosto muito de ti… Gostas de mim?! – Pergunto-te eu mais uma vez.

Por favor, vamos passear. Vamos sair daqui, vamos partir à descoberta. Eu quero. Tu queres? Acompanha-me para sempre. Diz que me amas. Seremos felizes assim. Vamos amar, vamos amar-nos, vamos amar digo eu constantemente. Tão constantemente que chega a ser quase irritante. Mas ai está o belo, o amar, o castanho e o amar. Será que o amor é castanho!?

O meu pensamento é! O meu amor também o é…
Ai, o Outono…
Gosto tanto do Outono, do castanho e do amor…





*Nostalgia*


( Hoje tou no Christmas Mood! Have yourself a merry little Christmas é a sugestão :) )






terça-feira, outubro 25, 2005

Espiral

Vivo numa espiral emocional de sentimentos e confusões. A melodia absurda mas coerente entra como que por inércia nos meus ouvidos e transformam-me num ser único e ridiculo. Essa mesma melodia faz com que dos meus olhos, caiam duas lágrimas unidas quase, inseparáveis como dois gémeos e unidas como dois apaixonados com os corpos fundidos. Esta música faz me flutuar, voar, sonhar. Livre.
Penduro-me nas nuvens onde, miraculosamente, não caio. Tal qual os anjos. Serei eu um anjo?
O compasso torna a marcar-se e a tornar-se cada vez mais elevado numa espiral de emoções que nunca acaba. Tão infinita... Tão mágica e ao mesmo tempo tão melancólica.
Estas notas. Ai estas notas. Si bemol. Fá sustenido menor. Lá de sétima menor. Tudo marcado, pausado, firme, orgásmico e mesmo triste. Tudo triste. Tudo tão triste.
E de repente....

Voltam a ecoar nas paredes brancas desta divisão os sons eruditos que penetram a minha fortaleza interior e me fazem novamente subir, subir, subir mais alto ainda. Voar, sonhar, cantar, rir.... Chorar, gritar, amar. Tudo misturado como numa grande salada de sentimentos. Tudo crescente como numa espiral. Esta espiral que é a minha vida...
Esta espiral emocional e desproporcional pela qual vôo, sonho, sorrio.











*Tonto*
(Venham-se a ouvir Bach. Esta é a minha sugestão musical de hoje.)
Foto da minha Si* - www.photoblog.be/sissa__

segunda-feira, outubro 24, 2005

Liberdade?

Liberdade? Ou deverei dizer pseudo-liberdade. Há algo a calar-me, há algo aí fora que não permite que eu diga o que pense nem o que sinto. Estou atado. Não me consigo movimentar, o meu espaço de manóbra é quase inexistente. Inclusive será que tenho um próprio espaço de manobra?

Tenho medo.
Não dos senhores grandes mas sim da mentira que anda a vaguiar por ai fora. Os inocentes e ingénuos comem aquilo que lhes dão à boca, nem que o sabor não seja propriamente dos melhores. As sensações estão a perder-se e quando nos dizem que a liberdade existe, apenas estamos a cair numa utopia. Radical demais esta posição mas...







Porque a mim ninguém me cala.
Porque o medo é psicológico.
Porque eu não mereço isto, e tu também não.
Porque...






*Sentimento de revolta*





(Isto hoje está um pouco fora-de-mão... Os posts anteriores um pouco... err... diferentes mas olhem... Hoje saiu isto!

Sugestão musical: Bullet for my valentine - Curses)

domingo, outubro 23, 2005

À espera de alguém que já não vem...



A espera já custa. A felicidade escapa-se por entre os dedos e joga comigo às escondidas. Quando penso que estou perto, afinal, não estou assim tão perto. Era um Domingo como tantos outros. Tu combinaste vir ter comigo e eu, acreditei. Sentei-me na estação dos comboios e aguardei pela tua chegada. Passadas três horas, cinco comboios e um maço e meio de cigarros. Um orgasmo de sensações más dá-me a volta ao cérebro. Por instantes caí em mim e percebi que nao vinhas.
Acendi um último cigarro. Levantei-me, com lágrimas a escorrerem-me pela cara e percebi que te amo. Mas tal como a felicidade, tu escapas-te por entre os meus dedos, jogas às escondidas e infelizmente dás muita luta. Mais uma vez perdi.
Não que seja mau perdedor, nada disso, simplesmente começo a habituar-me a perder tudo o que tenho e que não tenho. Começo a habituar-me a perder as coisas simples, as coisas complexas, o juízo e a saúde.
Mas por entre mil e sete orgasmos cerebrais que tive, nenhum deles me deu prazer a não ser quando finalmente, depois de três horas e quarenta e seis minutos, seis comboios e dois maços de cigarros eu vejo-te ao longe a descer da carruagem. Ups. Confundi, afinal não eras tu. Eu fiquei aqui à tua espera, como estou sempre à espera da felicidade. Mas mais uma vez não vieste. Posso então dizer que estive à espera de alguém que já não vem! Mas não há problema...








Já me começo a habituar...







(Sugestão musical: Michael Bolton - You don't know me + Cigarro na mão + Pensamentos nostálgicos
Garanto-vos, é do melhor.)
(Modelo na foto: Nokas*)

sábado, outubro 22, 2005

A estrela


Havia uma menina que andava muito triste. Essa menina pensava que a culpa de tudo o que se passava à sua volta era sua. Sentimento de culpa no máximo dos limites, podem crer que sim. Continuando...
Essa menina tinha um desejo - ser feliz. Mas isso ela não acreditava que conseguisse, então apareceu um menino que lhe mostrou que mesmo que não desse, que valia a pena lutar. Então mostrou-lhe uma estrela. Ele mostrou-lhe aquela estrela.

*Sorriso*


Tudo se resolve.


(Sugestão musical: ColdFinger - Cover Sleeve)
Foto: da minha pequena (grande) Si. (www.photoblog.be/sissa__)

sexta-feira, outubro 21, 2005

70º Sul


70ºSul.
Encontro-me algures perdido num mundo que não é meu. Esta enorme vontade de gritar por ai fora o que sinto faz me lembrar os heróis dos romances bonitos e pipis que eventualmente (não) têm semelhanças com qualquer realidade. O meu lugar, a 70º Sul, depende muito do lugar a considerar, mas isso também não interessa. Nada interessa. Interessa que eu aqui estou à espera de qualquer coisa, nem eu sei bem do quê. Ai que vontade que tenho de correr à chuva enquanto os homens grandes apitam nos carros quentinhos. Que vontade que tenho de ser inocente mais uma vez e pensar que afinal as cores existem e não são apenas pequenas ilusões ópticas.
Este 70ºSul vai mostrar a minha realidade para quem a quiser ler. Este 70ºSul é apenas mais um de muitos blogs na blogosfera.
Nada vai ser alterado. Aqui sou eu para ti, para vocês, para o Sr., para o menino.
Aqui sou eu para Ti.



Oporto, Dezembro 2004